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Cantagonias – Vista-se de Gente

Novembro 10, 2008

CANTAGONIAS
(Vista-se de Gente)

Vista-se de gente.
Você conseguiria?
Cara a cara, o espelho frente a frente
Quem sabe se talvez um dia…
Vista-se de gente
O que nos diferencia?
O humanismo de resultados potente
A esperança que nos alumia
Vista-se de gente.
Antes você parecia
Agora que ao sol tem um lugar-tenente
Você discrimina, diferencia?
Vista-se de gente
O cargo, quem diria
Você quer ser mais do que é, somente
Por neuras de vã hipocrisia?
Vista-se de gente
Negro, índio, todavia
Somos terráqueos da espécie que sente
O remorso de cada dia
Vista-se de gente
Pareça com o que cria
Ou você no íntimo é vulgar e impotente
E serve à selvageria?
Vista-se de gente
Ninguém desconfia
Que você é metade um ser consciente
E do que sobra desconfia
Vista-se de gente
Pareça-se com valia
Por que com a morte em sua frente
Você se anularia…

-0-

Silas Correa Leite
Itararé, São Paulo, Brasil
www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail: poesilas@terra.com.br

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3 comentários

  1. vestir.se de gente é uma ideia “dulcíssima”…

    abraço cordial.


    • A Importância de Machado de Assis Um Século depois de Sua Morte

      Machado de Assis é o melhor escritor brasileiro de todos os tempos. A qualidade literária, a lucidez fora de série e o talento foram confirmados com o passar dos anos. Ler Machado de Assis é ter orgulho de ser brasileiro. De origem humilde, paulatinamente foi criando o seu magnífico mundo letral espetacular, fundou a Academia de Letras, marcou a arte lítero-cultural brasileiríssima com a sua essência de vida e também com o próprio registro magistral de sua época, de seu tempo, incluindo as agruras sócio-culturais do período. Escrevia como quem punha a alma do Brasil para madurar, dando testemunho de si nos despojos, registrando com sapiência em tantos livros importantes o seu valor, a sua cultura, fazendo com que, cem anos depois, ainda o estejamos estudando, tenhamos orgulho dele, pois nunca mais haverá outro como Machado de Assis, se assim podemos dizer, o Número Um. No Brasil é lido entusiasticamente como nunca, seus textos caem em provas e vestibulares oficiais de renome, jovens universitários de gabarito descobrem e estudam a sua maestria com as palavras, a construção dos quadros narrativos, o estilo todo peculiar e inconfundível. Fora do Brasil é tido como um gênio, a altura dos grandes nomes da literatura mundial, até mesmo muitas vezes sendo cobrado porque não teria sido indicado para o Prêmio Nobel de Literatura. Romances que passam a limpo as mudanças que vivia o Brasil; tons irônicos, enfoques humanitários, sempre recuperando situações nodais, moldando palavras e criticando os contrastes sociais de sua época e outras, império, escravatura, sociedade. Documentou, historiou, decodificou o meio hipócrita e mostrou toda a sua verve e o depuro no oficio do qual era mestre. Técnica narrativa cativadora, surpreendente linguagem e abstração portentosa que fundava ali, a graceza cultural emergente no seu mais alto estilo e qualidade, revelando a tez chão de sua carreira até hoje inquestionável. A importância de Machado de Assis cem anos depois de sua morte é a própria prova de que ele foi muito além de seu tempo, apesar das agruras do que a vida lhe impôs, e que talvez por isso mesmo também em seu caráter fizeram-no forte, valorando sua ética como registro de um povo, de um tempo, de um lugar. Sem ele, a literatura brasileira não seria a mesma. A sua importância até hoje é o testemunho do que ele foi pioneiro na qualidade histórica de sua área, insubstituível e o próprio tempo, como juiz soberano o valora sobremaneira, colocando-o no patamar dos melhores do mundo. Marco histórico, portanto, Machado de Assis tornou-se referencial para autores que o sucederam no ramo literário, criou linhagem qualitativa, fez escola, é comparado e está acima de todos, sendo citado com probidade e garbo, servindo como acervo de pesquisas históricas acadêmicas até, pertinente ao seu momento literal (costumes, figurinos, crendices, visões do império, da escravatura, da abolição, da república), além de dar sustentação para teses sociológicas e ainda ser considerado o fundador do melhor quilate da arte narrativa brasileira. Quando queremos citar um cidadão humilde que brilhantemente venceu na vida com arrojo, o primeiro nome lembrado é Machado de Assis. A sua importância é que seus livros vendem, sua técnica narrativa densa atrai, os seus personagens cativam (como Capitu e Bentinho, por exemplo) e ainda, com profundidade, permite múltiplos entendimentos, fazendo-no um personagem de si mesmo, um mito. portanto.
      -0-

      Autor: Silas Correa Leite Origem: Itararé-SP
      http://www.portas-lapsos.zip.net

      E-mail: poesilas@terra.com.br


  2. Álbum de Figurinhas

    Ai que saudades que eu tenho
    Dos meus álbuns de figurinhas de coleção
    Que eu cuidava todo trancham, todo pimpão
    Quando guri lá em Itararé
    À sombra do lar and jazz
    Que os anos não trazem mais.

    Bolinho de piruá, capilé de groselha preta
    O pai floreando o acordeão ou a clarineta
    Eu com gibis do Tarzan ou do Flecha Ligeira
    E o álbum que devidamente preenchido dava de brinde
    De bola oficial de futebol a panela-de-pressão

    Com meu belo ki-chute pretinho
    Tomava crush de canudinho, e de boné
    Jogava bate-bafo na rua descalça e rapelava
    A petizada pidoncha da periferia de Itararé.

    Um dia chorei de montão
    Porque por mais que a vida por bem ou mal ensine
    É a frustração na infância que a desilusão define:

    -Deixei de ganhar uma bola da capotão
    Porque na minha bendita coleção
    Faltou uma figurinha carimbada do Belini.

    -0-

    Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.comr.br
    http://www.itarare.com.br/silas.htm
    Poema da Série “Eu Era Feliz e Não Sabia”



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