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Livro Porta-Lapsos, Poemas, Silas Correa leite

Março 21, 2009

portalapsos

 

Porta-Lapsos – A Poesia de um Neomaldito do Reino da Net

 

 

Quem conhece a capacidade produtiva do Poeta e Ficcionista premiado (e tachado de o “Rei da Web”) Silas Corrêa Leite, fica só cismando quando sabe que o escritor de raríssimo talento vai lançar um livro de poemas, que o trabalho literário é denominado “Porta-Lapsos” e que, começa sim, com esse nomaço que, de cara é mesmo um achado e tanto de titulo, muito bem (novamente) sacado pelo famoso e pop (e cult?) neomaldito da Internet. Aí o leitor fora de órbita pergunta: Neomaldito por quê? Bem, um escritor com o handicap de Silas Corrêa Leite, sempre aprontando das suas (ainda mais na net) colaborando com mais de duzentos sites (muitos em países de língua espanhola) com um tremendo currículo (tem uma pá de cursos) vários prêmios literários, de Ignácio Loyola a Paulo Leminski, da USP ao Prêmio Lígia Fagundes Telles, e ainda sacar um livro de onze ficções fantásticas com três finais cada, já valia deixar de ser inédito e estar sendo bancado por uma grande editora do eixo Rio-SP. Tô certo ou tô errado? Querem mais: seu e-book de sucesso O RINOCERONTE DE CLARICE, no site www.itarare.com.br é pioneiro, de vanguarda  e único no gênero, não existe outro, até o Mário Prata já admitiu isso. Pois é: o livro – indicado como leitura obrigatória na matéria Linguagem Virtual no Mestrado de Ciência da Linguagem na Universidade do Sul de Santa Catarina (já pensou?) – tem três finais: um feliz, um de tragédia e um outro terceiro final politicamente incorreto. Mas isso não é nada, perto do que ele pode e faz e  cria, apronta estupendamente, com uma lucidez e vivacidade fora do comum. Escreve poemas, contos, microcontos, artigos, críticas, ensaios, letras de rocks e blues, e tudo isso depois de trabalhar 12 horas por dia, em dois trampos, e ainda ter que dormir e tomar umas & outras que ele é um cervejólogo de marca maior. Não é possível? Taí o osso  da minhoca:  ele ainda estuda, lê pra caramba, ama os parentes, é adorado pelos amigos, tem até um leque de bem eleitos cobaias leitores virtuais e um elenco fixo de babões da trupe “Leia Silas” a exemplo do time leia Kardec. Não se ofenda. É pior (melhor) ainda  mais. Escreve desde os 8 anos, publica desde os 16, tem vários romances inéditos – um foi sacado por um advogado espírita que quis lançar o trabalho grátis numa federação aí como se ele fosse médium (ele diz que é inteiro) –  e ainda arranja tempo para existir. O melhor elogio que ele sempre recebe e muito é:   Silas, você não existe! Virou uma lenda. Maldito, modo de dizer. Elogioso. Eclético, polivalente, multimídia e vai por aí o mito. E ainda bom de trocadilhos, de causos, de humor. Faz orelhas de livros, prefácios de livros, dá nomes para bandas. Adora escrever sobre mulheres. Para algumas fãs babonas, ele é o Chico Buarque das letras. O futuro dirá. Assustadoramente reconhecerá? Ele tem defeitos, claro, e sabe que não há peças de reposição, nem inventaram silicone pra alma: é Corinthiano e só se diz mal-e-mal um poeta, escrevendo outras coisas porque poesia não vende. Pirou? Você pesquisa o nome dele no Cadê ou Google e vê como funciona a ferramenta virtual buscadora. Só dá Silas Corrêa Leite que ainda é relator de uma ONG de transparência nas políticas públicas para a região sudeste. Como é que pode? Ele diz que gosta mais de escrever do que de existir. Surto? Corre lendas sobre ele pelo mundão da Internet. Curiosidades, invencionices, mentiras, pajelanças.  E sua Estância Boêmia de Itararé chega a ser tão popular como Compostela, Dublin, Jerusalém, Israel. Fanatismo puro. Tudo está lá, tudo é lá, o céu pode esperar. Alguns pregam (mentem): O Silas Corrêa Leite não existe. São vários escrevendo por ele, de loucuras a mensagens psicografadas. Acredite se você for mané. Agora um porta-cérebro que é porta-poemas, que é Porta-Lapsos que é ele mesmo, corações e mentes, íntimos blues. Livro de mágoas? Não caia nessa. O livro que certamente vai dar o que falar, o que ler, o que  criticar e, indubitavelmente o que elogiar mesmo (pérolas aos porcos?) tem de tudo: um mosaico de seus vários poemas (e estilos) em recolhes de quase 35 anos, contendo haicais lindos, mantras maviosos, versos brancos em preto e pranto. Muitos deles publicados em antologias do Brasil e do exterior. Quer mais? “Ser poeta é a minha maneira/De chorar escondido/Nessa existência estrangeira/Que me tenho havido”. Esse poemeto é a assinatura-telúrica dele. O que esse E.T. está fazendo aqui? Porta-Lapsos tem a coragem de ser bonito-simples, de ser corajoso-contemplativo, de ser uma antologia de si mesmo. E o danado ainda conta palha de auto-exilado em Sampa: “O relacionamento meu com Itararé é sempre lírico-meditativo, e quero a minha estância boemia impressa na consciência do mundo, para alegrar a rudeza pegajenta do mundo”. Esse é o Poeta Silas Corrêa Leite, um crítico social, um jornalista comunitário, um teórico da educação, um ousado que sabe que “palavras inocentes são insensatas”(Bertold Brecht). Por isso é perigoso para o sistema dos podres poderes. Nessa desvairada marginália de Sampa ele pinta e borda, ruge e apanha, critica e chuta o pau da barraca, é processado e blefa, faz das tripas coração, com seus cantares de amor & de escárnio, sendo uma espécie de Homero querendo sempre voltar para casa, tirando poemas do lodo inesgotável da condição humana. Porta-Lapsos é isso. Quando é que vão prestar atenção nele, os midiáticos? Jean-Paul Sarte se reafirma em Silas Corrêa Leite: “Escrever é uma atividade essencialmente ligada à condição humana(…): é o uso da linguagem para fixar a vida” Vejo-o na trajetória de uma espécie tropical de Christian Andersen, só que escrevendo sobre o pântano dos adultos, com sua ficção-angústia, sua angústia-vívere, seu desmanche íntimo, feito um peregrino com suas sandálias de humildade. Quando você o lê com máxima atenção, tudo dele, tudo o que ele escreve, tudo o que ele verte, você passa a respeitar o cara e, pior, ter medo que ele pare de se pôr pra fora, de escrever a alma humana confundida nesses tempos tenebrosos que ele desafia, enojado, feito um arauto da dor de resistir. É isso aí: Porta-Lapsos. A cara e a coragem de ser bonitamente apenas isto nesse livro: poeta ele mesmo pela própria natureza. Ai de nós! 

 

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Dados do autor: Silas Corrêa Leite, e-mail poesilas@terra.com.br

Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm

Fone: 9108-6352 (SP)

 

 

 

Resenha Crítica: Antonio Tito Gonçalves – tudotito@zipmail.com.br

Jornalista e Professor Universitário

 

 

 

 

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