Archive for Abril, 2009

h1

Declaração Universal dos Direitos dos Boêmios

Abril 30, 2009

 

artistasitarare

Declaração Universal dos Direitos dos Boêmios

Todos os Boêmios Cósmicos até de além da Via Láctea, têm o mesmo direito à vida noturna, notívaga, da fauna seresteira, sem tirar nem pôr. E todo Boêmio é um filósofo para muito bem discutir futebol, mulher, política, religião e objetos não identificados, principalmente depois da saideira que nunca termina de ser a antepenúltima…
02)-Todos os Boêmios têm direito ao respeito e a proteção dos abstêmios e mesmo à proteção da lei da vida urbana e das autoridades constituídas, até porque, as grandes revoluções e guerras podem começar ou terminar nos bares e é melhor prevenir do que remediar
03)-Nenhum Boêmio deve ser maltratado, tendo sempre direito a pinduras, fiados, cheques borrachudos ou mesmo até algumas biritas e saideiras por conta de amigos do chamado “Lar Doce Bar” ou mesmo por conta da casa, porque Boêmio que presta é Boêmio que não troca o destilado pelo duvidoso. Edepois, falando sério, pode ser melhor deste lado do que do lado de lá… Deus abençoe o limão e o açúcar. Meu reino por uma garrafa de cachaça.
04)-Todos os Boêmios inveterados e incorrigíveis, têm o direito de viver para sempre no seu habitat rueiro de gracioso natureba-etílico em peregrinação, entre as musas, amantes e amigas do alheio, longe dos que têm cérebro de minhoca, os subcretinos e os alcoólatras anônimos
05)-A esposa-vitima que o Boêmio escolher para ser sua eternal companheira na alegria e na falta de cerveja, no álcool nosso de cada dia ou na ressaca, não deve nunca abandoná-lo como a um Engov ou Sonrisal usado. Abandonar um boêmio é condená-lo ao dezelo íntimo que resultará numa cirrose como seqüela de seu desmanche como ser e como humano. E depois, beber é divino.
06)-A nenhum Boêmio deverá ser causado qualquer dor de qualquer natureza, e a mulher que o deixar e o trair por ser biscate, será para sempre renegada por todos os viventes com consciências arejadas, cairá na vida e será uma qualquer na vida difícil sem ele, um incompreendido pelas pedaçudas de miolo mole e certos interesses escusos de percurso. Para compreender um Boêmio tem que ter olhos de santa, abraços de estrelas e alma avelã.
07)-Todo ato que põe em risco a vida ou o fígado do Boêmio, é um crime contra a natureza e a sua orquestra cósmica de preservação dos seresteiros, cantadores, trovadores, louvadores da vida e da beleza da vida por atacado. O Bar é nosso e ninguém tasca. E artistas bebem para suportarem a insanidade e o cinismo de parte da sociedade de lucros impunes, riquezas injustas, propriedades-roubos e falsidades cênicas
08)-A poluição da vida (becos e guetos), do bar (estranhos e pára-quedistas), de praias e montanhas, de terras lindas como Itararé, Cidade Poema, Shangri-lá, Pasárgada, Terra do Nunca, Paris, Rio de Janeiro, será considerada um crime contra a existência dos boêmios que são livres pela própria natureza, cantadores por ócios do oficio, com suas contentezas e prazeiranças de alegrar mundos e fungos, ícaros e almas naus, periferias cor-de-rosa e bares risca-facas. Saravá, Pixinguinha e Maestro Gaya. Os que não sabem beber são saúvas. E as saúvas ainda vão acabar com o Brasil. Camarada, que bom que você veio.
09)-Os direitos dos Boêmios serão defendidos por lei e valias desde logo em todos os foros de respeito à vida, à lua crescente ou cheia, à imaginação fértil e às barulhanças do bem viver em paz e com a alma aberta, até porque, ninguém é de ferro e, como disse o Chico Buarque do Brasil – o maior porrista de todos – a seco ninguém segura esse rojão
10)-O ser humano deve ser educado desde a tenra infância ainda no materno seio doce ou na mamadeira-chuqinha com suco de uva pra preparar o desfrute no devir – e deve saber que da água viemos e à cerveja voltaremos, e deve com sensibilidade temporã observar, respeitar e compreender o seu próprio despertar de uma paisana consciência cívica e ético-plural-comunitária (humanismo de resultados), pois, os animais que são puristas amam os bêbados e seus correligionários, mas, principalmente, se não tiver competência etílica ou asa luz para ser um verdadeiro Boêmio de fé e estirpe – e pescador, mentiroso, poeta e contador de causos do álcool da velha – que pelo menos respeite os Baristas e suas vidas ilustres nas constelações noturnas como pirilâmpadas do viver cada dia como se o mundo fosse acabar. E depois, Boêmio não tem terceira idade, tem terceira infância, e é melhor morrer de porre do que de tédio. Ai que preguiça! O mundo não vai acabar em fogo em enxofre com choro e ranger de dentes, mas acabar em cerveja transgênica com gargalo de espuma radioativa, chorinho e ranger de petiscos nos dentes. E nunca bebam ao dirigir, que a latinha pode cair…
E fica o dito pelo não dito. Quem quiser que conte outra, e vamos pedir mais uma rodada que o fígado faz mal à cerveja e depois, malte, levedo, lúpulo, e cevada, é muito melhor do que água, pois os peixes fazem sexo na água. Aleluia Biriteiros. O céu pode esperar. Ave Itararé! Mãos ao Álcool!
-0-
Poeta Silas Corrêa Leite – Boêmio Pela Própria Natureza
Poema da Série “Há Bares Que Vêm Pra Bem – Confesso que Bebi”
Estância Boêmia de Itararé, Chão de Estrelas – “A história do Brasil passa por aqui” – Capital Artístico-Cultural-Etílica da Região Sul do Estado de São Paulo, em boa safra de uva, milho, feijão, calcário, bares, beiras de rios, cevas, luares e, é claro, muita cana-de-açúcar que o céu pode ser lá
E-mail: poesilas@terra.comr.br
Site:
http://www.itarare.com.br/silas.htm
Blogue de Itararé: http://www.artistasdeitarare.zip.net

h1

Poema Para o Aparelho Holter

Abril 14, 2009

holter

Poema Para o Aparelho Holter
(Eletrocardiografia Dinâmica)

Para o Doutor João Manoel Rossi Neto

Os pelos do dorso raspados
Tantos eletrodos colados
O aparelho com pilha e fita para medir
Eu de mim mesmo nos batimentos do meu ressentir

Ando, registro, como – escrevo
E ainda anoto procedimentos, ações
Tomo café, assento: arritmia?
Fico nervoso e escrevo a dissonância da falha de sintonia

O aparelho-pochete na cintura mede
O psicossomático no fisiológico de quando trabalho – e escrevo
E fico sabendo o que devo e o que não devo
Do meu ser – que o coração padece, filtra, entope ou pede

O Aparelho Holter na cintura à pelo
Sou medido em enlevo e arrolo tudo como um novelo
Do que posso ter, sintoma ou doença afinal, ou não
Na alma, no corpo (na dor) no coração

Os eletrodos selados no meu sofrido peito
E suo, e penso – e registro para o definitivo diagnóstico ser finalmente feito

E a Cura – Depois da eletromagnética registração
Eu de mim mesmo auferido buscando o remédio, a salvação!

-0-

Silas Correa Leite, E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: http://www.portas-lapsos.zip,.net
Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos, Editora Design
À venda no site: http://www.livrariacultura.com.br