Archive for Maio, 2009

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A Mulher, O Homem e o Cão” Romance de Nicodemos Sena

Maio 26, 2009

a mulher e o cao loivro sena

Artigo/Resenha Crítica

ROMANCE “A MULHER, O HOMEM E O CÃO”, UMA ‘NEVERLAND’ NA HILÉIA AMAZÔNICA

Por Silas Correa Leite*

 “Com o que não te digo/

Teço um enigma/

O que digo sempre/

Nega o evidente(…)

Inconfesso, Antonio Mariano In,

 Guarda-Chuvas Esquecidos

Editora Lamparina

Para falar do novo livro do escritor paraense radicado em Taubaté-SP, Nicodemos Sena, “A Mulher, o Homem e o Cão” (Ed. LetraSelvagem, 2009, Coleção Gente Pobre, 152 pág.) não teria como não me reportar ao sucesso que foi a portentosa obra “A Espera do Nunca Mais” (Ed. Cejup, 1999), um caudaloso romance elogiado pela crítica, “que faz meio-termo entre ficção e realidade (…); alto estilo, demonstrando vigor e consciência estética(…)”, segundo Ronaldo Cagiano (in Opção Cultural). A amazônica como um todo, resgatada e retratada, do rural-agreste e ermo aos ‘anos de chumbo’ da ditadura militar (o escritor é um retratista de seu tempo e das amarguras de seu tempo?), no letral, literal, e lítero-culturamente sob todos os aspectos. “Uma aula de Amazônia (…)”, diz Oscar D’Ambrosio (in Caderno de Sábado, Jornal da Tarde). Coloco pra mim, entre os dez melhores romances brasileiros, não necessariamente numa ordem linear, “Dom Casmurro” ( Machado de Assis), “Grande Sertão: Veredas” (Guimarães Rosa), “Vidas Secas” (Graciliano Ramos), “Incidente em Antares” (Érico Veríssimo), “Crônica de Uma Casa Assassinada” (Lúcio Cardoso), “Macunaíma” (Mário de Andrade), “O Cortiço” (Aluisio de Azevedo), “Dona Flor e seus Dois Maridos” (Jorge Amado), “O Cais da Sagração” (Josué Montello), e, entre todos os do Autran Dourado (que é ótimo em tudo o que escreve), o recente romance “A Mulher, o Homem e o Cão”, de Nicodemos Sena, certamente o maior romancista brasileiro contemporâneo, pouco pop e naturalmente muito cult, diga-se de passagem. Como gosto de ler um livro de fio a pavio (e nas entre/linhas), como se comesse uma iguaria pelas beiradas, defeito-qualidade de um glutão de letras e gastronomias de quilate, já sondei a orelha de um dos maiores críticos brasileiros de todos os tempos, o Oscar D´Ambrósio, que aponta Nicodemos Sena como um grande contador de histórias com mitos que se cruzam com o mundo fantástico do autor, acordando o gigante adormecido da capacidade de raciocinar enquanto ser humano (picadeiro de dilemas, enigmas e desafios do verbo existir). Vá vendo. Quero dizer, vá lendo. Deguste. Depois, o prefácio da doutora Christina Ramalho (UFRJ), que nomina a obra como um “… caleidoscópio com tantos significados próprios, metamorfoses sobrenaturais plurissignificativas (…).” A floresta invadindo a obra do autor, que deixou a Amazônia, mas a Amazônia não o deixou, ou seja: vai com ele por onde ele for, sendo ele, é ele, selva-metáfora, o homem em busca de si mesmo, na selva urbana exaurida, dentro de si, no escre-Viver. Por aí. No posfácio, Dirce Lorimier Fernandes (doutora em História e da APCA), fala do rico mundo encantado de criação, mistérios e encantamentos na obra de Nicodemos Sena. A inutilidade da existência (por isso escrevemos, criamos, deixamos nosso documento-identidade em sons, palavras, símbolos, crenças, devaneios, enigmas e artes loucas?). O autor rasga o véu da alma-mente-espírito, e numa treva branca destila-se, o tudo sentir, o sobre/Viver. Eis o homem. Por fim – antes de entrarmos nos ramos qualificados da obra propriamente dita – uma surpresa: Um pós-posfácio do próprio autor (Acerca de “A Mulher, o Homem e o Cão”), falando de seu solilóquio, monólogo interior, desconfianças; encerrando assim: “… basta dizer que a selva, onde vivem as personagens (e onde eu nasci), é, no livro (…) apenas a metáfora de todas as solidões terrenas”. Lindo. O romance-livro realmente é de linda floração cultural e envergadura literária (qualidade técnico-editorial de primeira, capa de James Valdana, desenho de capa e miolo Olga Savary); de se pegar e não largar mais. Cativador na elegante fruição, entre subidas e descidas aos céus (todos os céus, não se sabendo se o céu – qualquer um – veio até Nicodemos ou ele é que foi até ele). Elogiado pela crítica especializada, esse autor paraense tem um jeito todo próprio de narrar, ir e vir nas orações, levar e trazer o leitor, cativando, encantando, sacudindo-o. Grande estilo. Aqui e ali, um personagem (personagem?) meio malazártico, numa narrativa bem macunaímica, sua narrativa às vezes nos remetendo à literatura fantástica (personagens bizarros até), de um anarquista misterioso, estilo utópico, B. Traven (Chicago 1890, México 1969), que teve na sua obra, como pano de fundo, a floresta mexicana (“O Visitante Noturno” entre outra criações de relevo), ficando um triângulo de Nicodemos Sena entre Macário de B. Traven, Macondo (de Gabriel Garcia Marques, do qual Nicodemos carrega aqui e ali parecenças) e o “espaço” floresta amazônica no livro, um não-lugar, um lugar-nenhum-todo-lugar/qualquer lugar, ele mesmo, o autor, Nicodemos Sena impregnado de talento, criatividade e técnica densa de narrar com veias e variações, as propriedades e impropriedades de suas origens, raízes, matrizes, mãe(s)-Terra/rio. O fado do destino humano sujeito a incongruências mesmo… Será o impossível? Sim, a nova obra do autor, “A Mulher, o Homem e o Cão”, tem o sígnico da relação homem-terra, homem-rio, homem-celestidades, homem-demônios (e fantasmas) da terra, rio (e céus?); triângulo com o macho, a fêmea e o sobrenatural. Paradoxalmente ao que o próprio autor diz no livro (pág.25), é na escreveção que os homens sensíveis se refugiam da loucura. A loucura é santa? “Deus usa os loucos para confundir os sábios?”. Coisas visíveis e invisíveis se metamorfoseiam nas narrativas cativantes, só que o leitor tem que estar bem enlivrado, por assim dizer, para ir, aqui e ali, sacando inteiro e completo, recebendo outro novo inédito enfoque concomitante ou adjunto (histórias na história), a árvore-janela, o cão-passarinho, o homem-peixe, o Deus que não é deus, o enlevo, a catarse, o onírico, colheitas de mitos retraduzidos e retrazidos. E o autor diz na contação da recontação literária em graça de prosa poética: “É esse, senhor, o efeito do espanto: o espírito esforça-se por estabelecer uma relação, uma ligação de causa e efeito, mas, achando-se impotente para consegui-lo, sofre uma espécie de paralisia momentânea, e, tão logo se recupera do assombro, sente crescer dentro dele gradualmente uma convicção que clareia a mente e impulsiona o corpo (…). –Roubaram-nos a alma, agora tudo está encantado!” A mulher-porca, as canoas de serpentes, o rio margem e beira (loucura-lucidez), tudo ciciando devaneios, registros, despojos letrais, acercamento. O rio de nossa infância, nossa origem, anda conosco, viaja conosco, sofre vazamentos, seca, aflui, tem sua derrama espiritual? O domador de mentes o que é? Ladrão de mulher, diria o mote popular parafraseado de um ente de circo. Livro de peso que tem névoas clarificadas. Que dá gosto ler. Que se passa daqui prali, num sem-pulo, de um tópico frasal para outro, levando e trazendo o leitor boquiaberto, seduzido sim, onde a voz ora é de um (uma), ora de outro (outra… criaturas…). O autor costurando o xale de sua áurea-aura-halo. Incompletudes. Desabandonos. Desespelhos. Na alegria e na tristeza, na fome e na dor… como um casamento do autor com o dom, a sua terra, o seus rios (lacrimais), agonias, angústias, causos do arco da velha vêm inventariados, inverdades, não mentiras, o próprio ofício de criação com iluminuras de espectros, ressentimentos, passados, transcendências, travessias, veios, cisternas, corredeiras, jorros; palco iluminado para dar voz e vazão a seres e não-seres, num imaginário pra lá de espetacularmente rico, portentoso. Aqui e ali, paráfrases bíblicas bem situadas (há um Deus), narrativas que lembram recorrências de um Jó bíblico negando-se a si mesmo sem negar o Criador, chuvas, nuvens, paragens, afogadilhos e afogados com lanternas, o repugnante e o sagracial, e entra no historial das contações com barulhanças e tristices, de Nero a Hitler, passando por Herodes, aqui e ali tentando um sentir imenso a partir de um nada sentir (o autor ficou doente depois de escrever o livro?… Mistério… Lenda…). Os sobre-humanos estão nas páginas do livro, nas páginas de rostos-purgações, de restos-retalhos-retratações-partilhas (histórias do ouvi-dizer, ouvi-viver), ou na própria concepção magistral como um todo da obra? Pois é: eis a obra, eis o autor, e, cá entre nós, eis uma tentativa de resenha crítica de quem se apaixonou pelo romance “A Mulher, O Homem e o Cão”. Aliás, falando sério, qual dos três (entre tantos) personagens do tema-obra gostaria de escrever uma história assim? Nunca se sabe o desfecho de uma fábula. Leia e deguste.

*Silas Correa Leite – Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos, Editora Design, Finalista do Prêmio Telecom, Portugal. Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos (SP).

E-mail: poesilas@terra.com.br

http://www.portas-lapsos.zip.net – Blog premiado do UOL

 

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Livro: “A Mulher, O Homem e o Cão”, Romance, Ficção, 2009, 152 pgs. Editora Letra Selvagem, SP Autor: Nicodemos Sena Site da editora: http://www.letraselvagem.com.br E-mail do autor: letraselvagem@letraselvagem.com.br

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Quem Tem Medo de Olga Savary Na Academia Brasileira de Letras?

Maio 18, 2009

bibliotecas

Artigo/Opinião :

Olga Savary: Quem Tem Medo Dela na Academia Brasileira de Letras?

A maior escritora brasileira atualmente é Olga Savary. No mesmo nível de Hilda Hist, Clarice Lispector, Marina Colasanti (para dizer o mínimo), pois estas estão pra mim no mais edificante patamar da maravilhosa qualitatividade letral. Já pensou? Curtindo Olga Savary tinha eu, cá com meus botões, que ela já era e fazia tempo da bendita Academia Brasileira de Letras. Desantenado? Errei feio. Pois não é que é? Bem, ela estar na ABL pelo histórico handicap lítero-cultural que tem, seria uma honra. Mas uma baita honra mesmo lá para a Academia. Aí o leitor desavisado perguntaria: mas, o que mesmo que a Olga Savary é no contexto literário do Brasil? O problema mesmo não é o que ela é, mas o que ela não é, quero dizer, ela faz de tudo, além de ser humanamente dizendo uma tremenda Poeta, talvez a melhor do Brasil desde 1500. Pois aí que está a questão: se ela é tudo isso que ela é mesmo, por que ainda então não pintou de fardão e se eternizou na Academia Brasileira de Letras?. Fiquei de butuca: quem tem medo da Olga Savary? Pois é, se ela tem um currículo que, valha-me Deus, é o melhor femininamente falando em terra de santa cruz que virou afrobrasilis, então, cara pálida, qual é mesmo o impedimento letral? Tá certo que o Brasil é de, às vezes esquecer seus mitos, principalmente nesta época de inumano e amoral neoliberalismo de tantas (mais) riquezas injustas, lucros impunes, contrastes sociais, propriedades roubos (e sampa com seu capitalhordismo atucanado agoniza); tá certo que o Rio de Tantos Carnavais tem seu, argh!, Cesar Maia que oscila entre um nada e um ninguém, mas, convenhamos, esquecerem a Olga Savary e, a turma toda da ABL não ir de mala e cuia, na casa dela, em Copacabana, bem aparamentada, convidá-la em coro (e com orgulho), para a honra de tê-la na ABL, aí já é demais. Acredite se quiser. Poeta, Contista, Ensaísta, Tradutora, Jornalista, Crítica, Literata, Palestrante, Curadora, Depoente, Personagem Em Livro, Personagem Viva de Nosotros Que A Amamos Tanto (amalgamados afrobrasilís de tupi-davidicos), Verbete, Copiada, Adorada, Consultada: faz Orelhas, Prefácios, Resenhas, Saraus, Catálogos, Músicas, e, se precisar, periga ver, ela Voa… e ainda não pintou para literalmente ilustrar a ABL? O que é que é isso, companheiros? Onde já se viu? Tem cabimento? Vamos fazer uma Marcha Pela Olga Savary na ABL. Tipo “Olguistas unidos/Jamais serão vencidos!” Russa e brasileiríssima pela própria natureza de ser livre e água, nordestina e acariocada, ela mesma é a alma mutante do brasileuropeu. Russa-amazônica, com sua poesia água e sua alma sextante. E os direitos humanos da Olga Savary no palco iluminado da ABL? Uma mulher do quilate da Olga Savary valoraria em muito a ABL. Ela é a grife da literatura brasileira, da poesia brasileira, nesse macadame de significâncias históricas. Nesses tempos de um brilhante Lula Light e o Brasil no auge como nunca, a maior dose de brasilidade que a nossa cultura tem é fulgurada no coração lítero-cultural de Olga Savary. E não existem outras. Olga não pede para entrar. Ela é iluminura em si mesma. Ela não é como uma escola de samba que pede passagem. Ela é ponte entre o mérito e a conquista. Está faltando o quê? Ela não precisa gastar dinheiro para fazer sala para os que a indicarão pelo voto. Ela é voto líquido e certo. A paixão dela pela arte literária a qualifica, quase que a santifica. Como a alma brasileira é feminina, Olga Savary é essa alma, essa cara, essa aura, pois luta ainda e muito, produz, escreve, se consome noiteadeira nas lides de escrever, por isso também que é o nosso maior nome para ser expresso como uma grife na Academia Brasileira de Letras. Será o impossível? Eu acredito em sonhos. E em lutas. Mas, será tão difícil assim?. Uma escritora portentosa como ela, não pode ficar de fora. Se ela vai para o décimo-nono livro; se tem 36 prêmios de renome, se é famosa no mundo inteiro, em todos os continentes, referência até como avaliadora de todos os nossos consagrados escritores de todos os tempos, se participou de 950 livros, é de se espantar que ainda não seja agora e assim mesmo no belo e empolgante açodado do momento, uma convidada de honra para lá se assentar, na Academia de Letras, e finalmente e mais do que ninguém, tornar-se imortal. Machado de Assis se sentiria honrado.

-0- Silas Corrêa Leite, de Itararé-SP, Santa Itararé das Letras Teórico da Educação, Jornalista Comunitário (ECA/USP), Escritor (Poeta, Ficcionista, Ensaísta, Romancista), Conselheiro em Direitos Humanos (SP) Membro da UBE-União Brasileira de Escritores Prêmio Ligia Fagundes Telles Para Professor Escritor Autor de ‘O Homem Que Virou Cerveja”, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, 2009, Salvador, Bahia, no prelo, Giz Editorial Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos Premiados, Editora Design, finalista do Prêmio Telecom, de Literatura, Portugal E-mail: poesilas@terra.com.br Site: http://www.itarare.com.br/silas.htm Blog premiado do UOL: http://www.portas-lapsos.zip.net Texto da Série “Brasil: Panurgismos, Bravatas e Prosopopéias Jugulares” – Ensaios, críticas, resenhas e Pensadilhos (livro inédito do autor)

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Prêmio Valdeck Almeida de Jesus: Ganhador Silas Correa Leite

Maio 12, 2009

 

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Silas Correa Leite, após conceder entrevista à

Márcia Peltier no Programa Momento Cultural

Estúdio TV Bandeirantes, Rio de Janeiro

Itarareense Ganha Prêmio e Lançará Livro de Crônicas chamado O HOMEM QUE VIROU CERVEJA

 -Participando do Prêmio “Valdeck Almeida de Jesus”, Salvador Bahia, 2009, tendo como desafio lítero-cultural fazer uma resenha crítica sobre a obra de sucesso do escritor Valdeck Almeida de Jesus, o popular Romance “Memorial do Inferno, A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Giz Editorial, São Paulo-SP”, o Itarareense Silas Correa Leite faturou o primeiro lugar, sendo que o prêmio será o lançamento de um livro de Crônicas, denominado “O Homem Que Virou Cerveja – Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio”, no prelo, pela Giz Editorial de São Paulo. No prefácio do livro o promotor cultural do evento literário assim escreve do escritor Silas Correa Leite, à guisa de prefácio: “Por ocasião da divulgação de meu livro “Memorial do Inferno – A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, tive a feliz ideia de organizar um concurso para a resenha crítico-literária da obra. Tal iniciativa, não nego, foi também uma forma de estabelecer contato imediato com eventuais tripulantes da “Nave das Palavras”, já que insisto em explorar a órbita da Literatura. O prêmio oferecido ao autor da melhor resenha seria, obviamente, o direito à edição e publicação de um livro. E eis que me vi diante de textos fantásticos, que chegavam de toda parte do país. Já antes da avaliação final, uma resenha, em especial, saltou-me aos olhos. Muito mais que uma resenha, era uma demonstração autenticada do perfeito domínio de palavras e ideias. Estava diante de um ‘artífice das palavras’, não tive dúvidas. Seu autor: Silas Correa Leite. Muito merecidamente, o vencedor do concurso. Era inevitável. Como é possível constatar, no breve resumo biográfico que acompanha a obra, Silas Correa Leite, entre suas múltiplas atividades, é escritor premiado e reconhecido, nacional e internacionalmente, com poemas e contos que abrilhantam diversas antologias, jornais, revistas e espaços literários importantes, sobretudo na Internet. Tão logo chegou até mim o ensaio de Silas sobre o “Memorial”, tratei de sair à caça de suas obras, de seus poemas, seus textos. E a cada um que descobria, mais fascinado ficava com a força semântica de sua escrita. Uma forma moralmente fecunda e bela de fazer do verbo a representação da vida, em todos os seus vértices e estertores. Silas Correa Leite parecia já ter nascido pronto para o vertiginoso universo das letras. Não há leitor que passe indiferente por suas palavras, posso apostar. Silas é autor dos livros “Porta-Lapsos”, “Ruínas e Iluminuras”, “Trilhas & Iluminuras”, “Os Picaretas do Brasil Real” (todos de poemas), “Campo de Trigo Com Corvos” (contos), e “Ele Está No Meio de Nós”, romance Místico, e-book, e do livro virtual de sucesso “O Rinoceronte de Clarice”, tese de mestrado e de doutorado, destaque na mídia, inclusive televisiva, por ser o primeiro livro interativo da rede mundial de computadores. Além de escritor, Silas é também um operário da vida, engajado em projetos e atividades de toda ordem – sempre tendo a ética e a responsabilidade por vertentes, registre-se. É o tempo que escapa. É o correr da vida, como bem assinala Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” E coragem é o que parece não faltar a Silas Correa Leite, ainda que falte o tempo. Quis o acaso, porém, que o tempo fosseItarareense Ganha Prêmio e Lançará Livro de Crônicas -Participando do Prêmio “Valdeck Almeida de Jesus”, Salvador Bahia, 2009, tendo como desafio lítero-cultural fazer uma resenha crítica sobre a obra de sucesso do escritor Valdeck Almeida de Jesus, o popular Romance “Memorial do Inferno, A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Giz Editorial, São Paulo-SP”, o Itarareense Silas Correa Leite faturou o primeiro lugar, sendo que o prêmio será o lançamento de um livro de Crônicas, denominado “O Homem Que Virou Cerveja – Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio”, no prelo, pela Giz Editorial de São Paulo. No prefácio do livro o promotor cultural do evento literário assim escreve do escritor Silas Correa Leite, à guisa de prefácio: “Por ocasião da divulgação de meu livro “Memorial do Inferno – A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, tive a feliz ideia de organizar um concurso para a resenha crítico-literária da obra. Tal iniciativa, não nego, foi também uma forma de estabelecer contato imediato com eventuais tripulantes da “Nave das Palavras”, já que insisto em explorar a órbita da Literatura. O prêmio oferecido ao autor da melhor resenha seria, obviamente, o direito à edição e publicação de um livro. E eis que me vi diante de textos fantásticos, que chegavam de toda parte do país. Já antes da avaliação final, uma resenha, em especial, saltou-me aos olhos. Muito mais que uma resenha, era uma demonstração autenticada do perfeito domínio de palavras e ideias. Estava diante de um ‘artífice das palavras’, não tive dúvidas. Seu autor: Silas Correa Leite. Muito merecidamente, o vencedor do concurso. Era inevitável. Como é possível constatar, no breve resumo biográfico que acompanha a obra, Silas Correa Leite, entre suas múltiplas atividades, é escritor premiado e reconhecido, nacional e internacionalmente, com poemas e contos que abrilhantam diversas antologias, jornais, revistas e espaços literários importantes, sobretudo na Internet. Tão logo chegou até mim o ensaio de Silas sobre o “Memorial”, tratei de sair à caça de suas obras, de seus poemas, seus textos. E a cada um que descobria, mais fascinado ficava com a força semântica de sua escrita. Uma forma moralmente fecunda e bela de fazer do verbo a representação da vida, em todos os seus vértices e estertores. Silas Correa Leite parecia já ter nascido pronto para o vertiginoso universo das letras. Não há leitor que passe indiferente por suas palavras, posso apostar. Silas é autor dos livros “Porta-Lapsos”, “Ruínas e Iluminuras”, “Trilhas & Iluminuras”, “Os Picaretas do Brasil Real” (todos de poemas), “Campo de Trigo Com Corvos” (contos), e “Ele Está No Meio de Nós”, romance Místico, e-book, e do livro virtual de sucesso “O Rinoceronte de Clarice”, tese de mestrado e de doutorado, destaque na mídia, inclusive televisiva, por ser o primeiro livro interativo da rede mundial de computadores. Além de escritor, Silas é também um operário da vida, engajado em projetos e atividades de toda ordem – sempre tendo a ética e a responsabilidade por vertentes, registre-se. É o tempo que escapa. É o correr da vida, como bem assinala Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” E coragem é o que parece não faltar a Silas Correa Leite, ainda que falte o tempo. Quis o acaso, porém, que o tempo fosse aqui abreviado e que, por meio de um concurso que promovi, este livro tomasse forma. Não preciso dizer do orgulho que sinto em ter sido, de certo modo, o agente viabilizador desse ‘parto’, que traz ao mundo “O Homem que Virou Cerveja”, uma coletânea de quinze crônicas com o poder de encantar e absorver, seja com o humor inteligente levado a sério – e, muitas vezes, extraído da dor, tal como leite extraído das pedras -, seja com a riqueza semântica e a propriedade de retratar cenas do cotidiano com a ‘profunda leveza’ das palavras precisas, seja com a capacidade de roubar um riso, tocar a emoção ou despertar a consciência crítica do leitor. E isto, face à pressa e aridez de nossos dias, já é, no mínimo, uma pequena vitória. A todos, resta-me desejar uma boa leitura! Valdeck Almeida de Jesus – Escritor, Promotor Cultural aqui abreviado e que, por meio de um concurso que promovi, este livro tomasse forma. Não preciso dizer do orgulho que sinto em ter sido, de certo modo, o agente viabilizador desse ‘parto’, que traz ao mundo “O Homem que Virou Cerveja”, uma coletânea de quinze crônicas com o poder de encantar e absorver, seja com o humor inteligente levado a sério – e, muitas vezes, extraído da dor, tal como leite extraído das pedras -, seja com a riqueza semântica e a propriedade de retratar cenas do cotidiano com a ‘profunda leveza’ das palavras precisas, seja com a capacidade de roubar um riso, tocar a emoção ou despertar a consciência crítica do leitor. E isto, face à pressa e aridez de nossos dias, já é, no mínimo, uma pequena vitória.

A todos, resta-me desejar uma boa leitura!

Valdeck Almeida de Jesus – Escritor, Promotor Cultural

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O Bicho-Homem Gerando a Peste da Gripe Suina

Maio 11, 2009

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Primeiro Poema à Terceira Idade

Maio 8, 2009

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PRIMEIRO POEMA À MAIORIDADE

Ao Clube da Maioridade de Itararé-SP

“A vida é um cheque em branco/Em que você preenche a quantia/De uma grandeza única/Ou de uma existência vazia…” (Silas Corrêa Leite, in, O Marceneiro, A Última Tentativa de Cristo, romance inédito do autor)

Admirável mundo novo, sensacional:
Eu estou aprendendo a ficar velho, no Brasil.
(Não como rejeito ou excluído social
Mas como maravilhoso vinho-verde de barril)

Sei meu endereço inteiro; escrevo poesias
Reconheço parentes, companheiros e crias
Até freqüento as Missas (de Sétimos Dias)

Sei quando a minha netinha da escolinha atrasa
E ainda hoje eu me peguei
Cantando “As Flores do Jardim de Nossa Casa”
De Roberto Carlos – o Rei.

Nunca fui tão tranqüilo, sábio, sereno, gente
Como ao me sentir velho e muito consciente
Até um Curso de Terceira Idade eu comecei
Escrevi poema de amor aos meus ancestrais
Aos que vieram de muito antes de meus pais
E até posei de cara limpa, cara lavada
De amante – dessa minha Pátria Amada

Ser velho é ser atual; ter paz e saúde
Eu tenho bagagem – eu fiz o que pude
Equilibrei a energia de uma juventude
À pureza da primeira infância, os primeiros ais
(Ah! as acontecências que a Saudade nos traz)
E assim, feliz, dei nisto que a vida hoje me faz:
Eu mesmo – e com muitissíma fé!
(Como é bom ser o que a gente é
Nada mais.)

Não tenho medo de:
Vaidade – fascinação
Escuro (ou Solidão)
Comunista, Injeção
Obesidade – pensão
-Ternura – Com uma nova amiga
Eu sou um amante à moda antiga
Mando flores, danço até bolero.

(Ser Velho é ser vero!)

Por quê, Deus do céu, não fui velho já nos meus quinze anos?
Ou com quarenta e tanto, na flor da juventude ainda não extinta?
(Se eu soubesse que velhice era tão bela assim, faria planos
E eu o seria feliz, ainda nos idos dos meus vinte anos, ou trinta…)

Não ter compromisso – ou ter alegria, diversão
Não respeitar sinais de pânico – ou decantação
Vaiar a depressão e não conferir bilhete de regressão
(E ainda chamar os brotos de brotos. Ai meu coração!)

Na outra vida – Vida Eterna muito além dessa ciranda
Quero ouvir Taiguara, Francisco Buarque de Holanda
Ler Sócrates, Neruda, Drumond – e tocar numa banda
Chamar a querida esposa-musa-vítima de “meu talismã”
E fazer sucesso nos rituais da família, toda santa manhã.

Não acreditar em inverdades – esteriótipos, ou matutas lendas sem valor
Deus é coisa séria, caridade e orações aos simples – eis o eixo do Amor
Não precisar ser bobo, mentir, votar em político corrupto, falso ou ladrão
E nem precisar deixar de ser eu mesmo para agradar a parente ou patrão.
(Ser velho é realmente o maior barato. E ainda assim a maior “curtição”.)

(Os incautos adolescentes às vezes não me respeitam)
Mas os jovens também nunca respeitam os jovens não
(Algumas crianças às vezes também não me entendem)
Mas as crianças são felizes e não sabem dessa estação

(Universitários às vezes fingem que são o que não são
E muitos até pensam que pensam um acabado saber
Enquanto ser velho é só pagar candidamente em dia
A existência – como soma de maravilhosa mais valia
E a gostosa prestação de uma pura integridade de Ser)

Ser criança para mim hoje já não é assim tão divertido
Ser adolescente pode ser trivial, ou de verbo rude, sem estudo
Ser jovem é ter muita grife só que com pouco conteúdo
SER VELHO É GANHAR A HONRA DE TER SIDO

Quem nunca chegar a ser um velho como deveria
E morrer muito antes por ter se exaurido
Talvez terá sido medíocre e vai descobrir um dia
Que fingiu um curtume, não terá existido.

Eu era um menino com faniquito que via anjos num jardim caboclo
Eu era um guri que amava Itararé, Pixinguinha e Tonico & Tinoco
Cheguei a ser triste e amargo – Como choro e ranger de dentro

Mas ser velho é o melhor exercício como se um sólido templo
E viver completo é mais verdadeiro – E um grande documento.

O Brasil não respeita os seus velhos
(Mas o Brasil não respeita o Brasil)
As crianças são idiotizadas desde o próprio berço familiar
(Os velhos permanecem íntegros, de vivência e de sonhar)

Os jovens dopam-se e ostentam rótulos em vão
(Mas os lutadores vencedores a terra herdarão)

Afinal, qual é o defeito de ser velho da Terceira Feliz Idade, então?
Dormir de pijama? Escovar os sonhos sábios de uma errança?
Comer espinafre? Torcer pro Timão? Ter céus na esperança?
Ter siricotico ao ouvir Castro Alves ou samba verdadeiro com Jamelão?

Ser velho, na verdade, é ser de novo, criança outra vez.
Com mais competência, lisura, calma e forja de lucidez

Deus dá aos velhos o sentido real de vida e da decência
Moisés, Miguelângelo, Picasso, Ziraldo – tudo que se fez
Aprenderam a ternura do amor dessa linda acontecência
Sem perder o ritmo e um dínamo da mais pura existência.

A hérnia? – E o equilíbrio racional?

A careca? – E a sapiência moral?

A aposentadoria? – E a nova releitura de Platão?

Ser velho é olhar para trás e dizer com emoção:

Vim, vi, Venci e Amei

E quem quiser que tenha competência, tesão

-Para um dia chegar nessa terceira infância até onde eu cheguei!
-0-

Poeta Prof. Silas Corrêa Leite – De Itararé-SP – Membro da UBE-União Brasileira de Escritores. Trabalho que consta no Livro “O AMOR É O MELHOR REMÉDIO” (Inédito) -Poema lido na Universidade de Sorocaba, por ocasião de encerramento de um Curso de Extensão para a Maioridade – Autor de Porta-Lapsos, Poemas
Outros trabalhos no site http://www.itarare.com.br/silas.htm
Contatos: poesilas@terra.com.br
Blogues:
http://www.portas-lapsos.zip.net
http://www.campodetrigocomcorvos.zip.net

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Somos Todos Garrinchas

Maio 8, 2009

 

Somos Todos Garrinchas

“Lá vai o Mané
Da perna torta
Quem é que se importa
Como o que ele foi
Com o que ele é?”

Somos todos Garrinchas
Pobres, sem time, com amarelão
Atrás de uma pelota de capotão
De bola, o mundo – triste ilusão
Dando olés
Com enferrujadas latinhas de sardinhas

Somos todos Garrinchas
De periferias e urbanidades
Fintando a vida, as precariedades
Muito além da dor da exclusão
Dando olés
Até mesmo com as asas da imaginação

Somos todos Garrinchas
E Adrianos, Ronaldinhos, Romários
Lutando pela sobrevivência, contrários
À fome, a miserabilidade da vida
Dando olés
Até mesmo em alguma bala perdida

Somos todos Garrinchas
Desses amalgamados brasis gerais
Embaixadas, dribles da vaca, mais
Sem torcida, esperanças, ligas
Dando olés
Em abandonos sociais…e formigas
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Somos Garrinchas, todos
Humildes, excluídos, fracos
Craques desconhecidos entre barracos
Bolando fintas entre becos e lodos
Dando olés
Mas todos nós também descamisados manés!

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Silas Correa Leite – Itararé-SP
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: http://www.portas-lapsos.zip.net
Autor de “O HOMEM QUE VIROU CERVEJA”
Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador,